CRESCIMENTO E ACÚMULO DE SOLUTOS ORGÂNICOS NO FEIJÃO VIGNA SUBMETIDO AO ESTRESSE SALINO

José Benjamin Machado Coelho, Egídio Bezerra Neto, Maria de Fátima Cavalcanti Barros, Eliza Rosário Gomes Marinho de Albuquerque

Resumo


Foi conduzido um experimento em condições de casa de vegetação, pertencente à Universidade Federal Rural de Pernambuco, em Recife, PE., Brasil, com o objetivo de serem avaliados efeitos do estresse salino no crescimento e acúmulo de solutos orgânicos, em feijoeiro vigna, cultivar “pele de moça”. Os tratamentos foram organizados em arranjo fatorial, composto por duas texturas de solo: franco-arenosa e franco-argilosa, quatro níveis de salinidade: 0,0 (Testemunha), 4,0; 8,0 e 12,0 dS m-1 a 25ºC, com cinco repetições. A salinização foi feita pela aplicação de 2/3 NaCl e 1/3 CaCl2. A colheita das plantas ocorreu aos 28 dias após a semeadura. Os resultados obtidos mostraram que houve redução de biomassa seca da parte aérea (62,7%) e aumento nos teores de prolina (72,2%) nas plantas submetidas ao tratamento salino mais alto. Não houve relação significativa entre teor de glicina-betaína e salinidade do solo. Entretanto, o teor de carboidratos solúveis totais nas folhas aumentou 26,6%, quando se comparou o tratamento de mais alta salinidade com a testemunha. Os teores de clorofila das plantas submetidas à salinidade (12 dS m-1) tiveram valores superiores em relação à testemunha; 60,7% para clorofila a e 45,6% para clorofila b. Deste modo, observou-se que o feijoeiro vigna, quando submetido ao estresse salino, desenvolveu mecanismos de tolerância, denotados pelo acúmulo de alguns solutos orgânicos.

Palavras-chave


ajustamento osmótico; Vigna unguiculata; salinidade.

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