CARACTERES MORFOANATÔMICOS DE Campomanesia adamantium (Cambess.) O. Berg, UMA PLANTA MEDICINAL DO CERRADO BRASILEIRO

Autores

Palavras-chave:

Myrtaceae, anatomia vegetal, espécie nativa, gabiroba

Resumo

Campomanesia adamantium, Myrtaceae, é conhecida popularmente como guavira ou gabiroba. Estudos com espécies de Campomanesia têm comprovado seu uso como anti-inflamatório, antidiarreico, anti-séptico das vias urinárias, e na medicina popular usada em males do fígado e problemas reumáticos. O objetivo deste estudo foi caracterizar morfoanatomicamente raiz, caule e folhas de C. adamantium, visando à contribuição de estudos futuros para o controle da qualidade da matéria prima vegetal. Amostras do material vegetal da espécie estudada foram coletadas, seccionadas, fixadas e coradas com corantes específicos, seguindo metodologias descritas na literatura especializada. A raiz possui epiderme unisseriada; exoderme uniestratificada e endoderme contendo compostos fenólicos e estrias de Caspary; o cilindro vascular varia de pentarco a hexarco com metaxilema e cordões floemáticos localizados entre o protoxilema. O caule tem células secretoras subepidérmicas e endoderme com amiloplastídios; ainda possui uma camada subepidérmica de colênquima no córtex e anéis de crescimento distintos, delimitados por estreita camada de fibras. A folha possui epiderme unisseriada, com células epidérmicas retangulares na face abaxial; células epidérmicas menores na face adaxial, com parede periciclinal recoberta com cera ou cutícula fina; as folhas são hipoestomáticas, onde os estômatos são dispostos somente na face abaxial. Os resultados obtidos neste trabalho poderão ser utilizados em referências para o maior conhecimento e ampliação da espécie estudada.

Referências

COUTINHO, I. D.; POPPI, N. R.; CARDOSO, C. L. Identification of the volatile compounds of leaves and flowers in guavira (Campomanesia adamantium O. Berg.). Journal of Essential Oil Research, 20: 405-407. 2008.

DONATO, A. M.; MORRETES, B. L. Anatomia foliar de Eugenia brasiliensis Lam. (Myrtaceae) proveniente de áreas de restinga e de floresta. Revista Brasileira de Farmacognosia, 17: 426-443. 2007.

FAHN, A. Plant anatomy. (3º ed.), New York, Pergamon. 1982. 544p.

FERREIRA, L. C.; GRABE-GUIMARÂES, A.; DE PAULA, C. A.; MICHEL, M. C. P.; GUIMARÂES, R. G.; REZENDE, S. A.; DE SOUZA FILHO, J. D.; SAÚDE-GUIMARÂES, D. A. Antiinflammatory and antinociceptive activities of Campomanesia adamantium. Journal of Ethnopharmacology, 145: 100-108. 2013.

FRANKLIN, G. L. A rapid method of softening wood for microtome sectioning. Australian Journal of Botany, 33: 393-408. 1946.

FREITAS, J. B.; CÂNDIDO, T. L. N.; SILVA, M. R. Geléia de gabiroba: avaliação da aceitabilidade e características físicas e químicas. Pesquisa Agropecuária Tropical, 38: 87-94. 2008.

Gogosz, A. M. Germinação e estrutura das plântulas de Campomanesia xanthocarpa O. Berg. (Myrtaceae) crescimento em solo contaminado com petróleo e solo biorremediado. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Paraná, Departamento de Botânica, Área de Anatomia Vegetal, Curitiba, Paraná. 2008. 115 pp.

GOGOSZ, A. M.; COSMO, N. L.; BONA, C.; SOUZA, L. A. Morfoanatomia da plântula de Campomanesia xanthocarpa O. Berg. (Myrtaceae). Acta Botanica Brasilica, 24: 613-623. 2010.

GOMES, S. M.; SOMAVILLA, N. S. D. N.; GOMES-BEZERRA, K. M.; MIRANDA, S. C.; DE-CARVALHO, P. S.; GRACIANO-RIBEIRO, D. Anatomia foliar de espécies de Myrtaceae: contribuições à taxonomia e filogenia. Acta Botânica Brasilica, 23: 223-238. 2009.

GRATTAPAGLIA, D.; VAILLANCOURT, M. S.; THUMMA, B. R.; FOLEY, W.; KULHEIM, C.; POTTS, B. M.; MYBURG, A. A. Progress in Myrtaceae genetics and genomics: Eucalyptus as the pivotal genus. Tree Genetics & Genomes, 8: 463-508. 2012.

IBRAM (Instituto Brasília Ambiental). Bioma Cerrado. Brasília, DF, 2018. Disponível em <http://www.ibram.df.gov.br/bioma-cerrado/?fbclid=IwAR07jc70SAyMspGaSlXxd8ElVNk_7pQAut4sHeGv2v_aFtz8KC20uijTjbU>. Acesso em 18 de dezembro de 2018.

JOHANSEN, A.D. Plant microtechnique. New York, McGraw-Hill. 1940. 523p.

KRAUS, J.E.; ARDUIN, M. Manual básico de métodos em morfologia vegetal. Rio de Janeiro, EDUR. 1997. 128p.

KUSTER, V. C.; VALE, F. H. A. Leaf histochemistry analysis of four medicinal species from Cerrado. Brazilian Journal of Pharmacognosy, 26: 673-678. 2016.

MMA (Ministério do Meio Ambiente). O bioma Cerrado. Brasília, DF, 2018. Disponível em <http://www.mma.gov.br/biomas/cerrado?fbclid=IwAR0s7kw6M5dbACgMiTKQmGKY68RcmEIYe2MuNdnoKONu3SY4ToiKGRV_QF0>. Acesso em 18 de dezembro de 2018.

OLIVEIRA, F.; AKISUE, G. Fundamentos farmacobotânica e de morfologia vegetal. (3º ed.), São Paulo, Atheneu. 2009. 228p.

OLIVEIRA, F.; AKISUE, G.; KUBOTA, M. Farmacognosia. São Paulo, Atheneu. 1998. 426p.

OLIVEIRA, M. I. U.; REBOUÇAS, D. A.; LEITE, K. R. B.; OLIVEIRA, R. P.; FUNCH, L. S. Can leaf morphology and anatomy contribute to species delimitation? A case in the Campomanesia xanthocarpa complex (Myrtaceae). Flora, 249: 111-123. 2018.

PASCOAL, A. C. R. F.; EHRENFRIED, C. A.; LOPEZ, B. G.; ARAUJO, T. M.; PASCOAL, V. D. B.; GILIOLI, R.; ANHÊ, G. F.; RUIZ, A. L. T. G.; CARVALHO, J. E.; STEFANELLO, M. E. A.; SALVADOR, M. J. Antiproliferative activity and induction of apoptosis in PC-3 cells by the chalcone cardamonin from Campomanesia adamantium (Myrtaceae) in a bioactivity-guided study. Molecules, 19: 1843-1855. 2014.

PAVAN, F. R.; LEITE, C. Q. F.; COLEHO, R. G.; COUTINHO, I. D.; HONDA, N. K.; CARDOSO, C. A. L.; VILEGAS, W.; LEITE, S. R. A.; SATO, D. N. Evaluation of anti-Mycobacterium tuberculosis activity of Campomanesia adamantium (Myrtaceae). Química Nova, 32: 1222-1226. 2009.

PROENÇA, C. E.; SOARES-SILVA, L. H.; VILLARROEL, D.; GOMES-BEZERRA, K. M.; ROSA, P. O.; FARIA, J. E. Q.; SOBRAL, M. Flora do Mato Grosso do Sul: Myrtaceae. Iheringia, Série Botânica. 73: 277-282. 2018.

ROSSATO, M. Propagação in vitro e aspectos anatômicos e ultraestruturais da calogênese em Campomanesia adamantium. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Goiás, Departamento de Agronomia, Área de Fitotecnia, Jataí, Goiás. 2015. 54 pp.

SANTOS, G. M.; PAIVA, J. C. Q. C.; SCALON, S. P. Q.; MUSSURY, R. M. Avaliação da intensidade luminosa no desenvolvimento inicial de espécies frutíferas nativas do Cerrado. Acta Biológica Catarinense, 1: 05-14. 2014.

SANTOS, S. R.; MARCHIORI, J. N. C. Caracterização microscópica do lenho de Campomanesia xanthocarpa O. Berg. (Myrtaceae). Balduina, 1: 10-14. 2009.

SOBRAL, M. Evolução do conhecimento taxonômico no Brasil (1990-2006) e um estudo de caso: a família Myrtaceae no município de Santa Teresa. Tese de Doutorado. Universidade Federal De Minas Gerais, Departamento de Agronomia, Área de fitotecnia, Belo Horizonte, Minas Gerais. 2007. 374 pp.

SOBRAL, M.; PROENÇA, C.; SOUZA, M.; MAZINE, F.; LUCAS, E. Myrtaceae in lista de espécies da flora do Brasil. Rio de Janeiro. 2015. Disponível em <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB171> acesso em 19 de dezembro de 2018.

VALLILO, M. I.; LAMARDO, L. C. A.; GABERLOTTI, M. L.; OLIVEIRA, E.; MORENO, P. R. H. Composição química dos frutos de Campomanesia adamantium (Cambess édes) O. Berg. Ciências e Tecnologia de Alimentos, 26: 805-810. 2006.

Downloads

Publicado

2020-06-18