QUANDO DUAS TRAGÉDIAS SE ENCONTRAM: CONEXÕES ENTRE MEDÉIA E GOTA D’ÁGUA

Autores

Palavras-chave:

Tragédia, Condição feminina, Relações de gênero

Resumo

A tragédia grega, embora tenha sua origem distante em tempo e espaço, continua a evocar questões intrinsecamente humanas e atuais: homens e mulheres confrontam-se com problemáticas, medos e desordens subjetivas. Os tragediógrafos helênicos nos deixaram uma série de produções que levantam debates sobre interesses particulares e coletivos. Tragédias que expuseram o alcance das ações individuais na vida pública e, portanto, na convivência entre os cidadãos da pólis. Séculos passaram-se e os textos trágicos modernos apresentam reflexões semelhantes aos deixados pelos antigos gregos, não obstante retratem temas e sujeitos caros à época de veiculação. Nesse sentido, vislumbramos, através do artigo proposto, realizar uma aproximação entre a tragédia Medéia, elaborada por Eurípides em 431 a.C. e a obra Gota d’Água, escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes em 1975. Ambas as tragédias nos permitem pensar sobre a condição feminina e relações de gênero, dado que as protagonistas das produções analisadas vivenciam situações em comum: a perda do leito nupcial, o abandono parental e a humilhação moral.

Biografia do Autor

Anne Caroline Santos Nunes, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestranda do Programa de Pós-graduação em História social, PPGHIS/UFRJ. Bolsista da Capes, Linha de psquisa História e cultura. Membro do Laboratório de História e Historiografia da Antiguidade Grega (IH/UFRJ).

Michelle Caetano, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História Social, PPGHIS/UFRJ. Bolsista da Capes, Linha de pesquisa História e Cultura. Membro do Laboratório de Imagem, Memória, Arte e Metrópole (IMAM/UFRJ).

Referências

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Publicado

2020-12-29