Criptococose cutânea canina: relato de caso

Autores

  • Lícia Flávia Silva Herculano Residência em Anestesiologia, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria-RS, Brasil.
  • Victor Reis Galindo Faculdade de Veterinária, Universidade Estadual do Ceará (UECE), Fortaleza-CE, Brasil.
  • Tobias Saraiva Cavalcante Neto Faculdade de Veterinária, Universidade Estadual do Ceará (UECE), Fortaleza-CE, Brasil.
  • Lúcia de Fátima Lopes dos Santos Faculdade de Veterinária, Universidade Estadual do Ceará (UECE), Fortaleza-CE, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.26605/medvet-v14n4-3939

Palavras-chave:

cão, Cryptococcaceae, fungo, triazólicos

Resumo

Criptococose é uma doença multissistêmica que acomete humanos e animais. É transmitida pela inalação de esporos de um fungo da espécie Cryptococcus neoformans que se desenvolve em matéria orgânica, principalmente em fezes de aves e madeira em decomposição. Esta enfermidade é, em geral, de caráter oportunista sendo mais comum em gatos do que em cães. As manifestações clínicas dessa doença variam e podem causar distúrbios oftálmicos, respiratórios, cutâneos e neurológicos. O diagnóstico vai além da avaliação física e anamnese, podendo o médico veterinário solicitar exames micológicos (cultura fúngica e esfregaço de material da lesão), citológicos, histopatológicos, entre outros para especificar qual realmente é a causa do problema e tratar de modo mais adequado possível. O tratamento é baseado no uso de antifúngicos sistêmicos, no entanto, a literatura não relata o tempo mínimo adequado de tratamento, indicando manter o protocolo terapêutico por mais 30 ou 60 dias após melhora do quadro clínico e resultados de exames negativos para criptococose. O presente trabalho tem o objetivo de relatar um caso de criptococose cutânea em uma cadela de nove anos da raça Pastor Alemão. A paciente apresentava lesões ulcerativas no membro torácico esquerdo, que causavam dor quando palpadas. O diagnóstico foi confirmado por cultura fúngica e a terapia foi realizada com itraconazol na dose de 10mg/kg, via oral (VO),  a cada 24h (q24h) inicialmente, fazendo ajustes posteriores para 20mg/kg VO, q24h totalizando cinco meses de terapia, resultando em melhora da doença e sem efeitos adversos, para a paciente relatada. Assim, é necessário que exames complementares e diagnósticos mais precisos sejam realizados para contribuírem para uma terapia adequada objetivando a cura clínica.

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Publicado

2020-11-26

Edição

Seção

Clínica e cirurgia de pequenos animais